Numa época em que muito se fala de crise, é importante compreender de onde é que esta provém.
A situação que se vive actualmente, não é mais uma crise cíclica provocada pelo abrandamento da economia europeia, da qual Portugal está demasiado dependente, esta é uma crise estrutural.
Existem inúmeros aspectos enraizados na sociedade portuguesa que provocam uma consciência colectiva de inferioridade, os quais têm de ser rapidamente superados.
O baixo nível educacional da população portuguesa, provoca um baixo patamar de produtividade da economia, a qual não é contrabalançada com níveis tecnológicos elevados, visto que o tecido empresarial aposta pouco na investigação e desenvolvimento de novos produtos e novas marcas. Este aspecto é fundamental para aumentar a competitividade da economia, tendo por isso que agir de forma coordenada os vários agentes intervenientes, já que terá que ser proporcionado pelo estado português uma melhor qualidade de ensino, e uma maior quantidade de indivíduos que o usufruem, independentemente da sua facha etária, e por parte das empresas uma maior aposta na inovação, tanto de processos como de produtos.
O estado criou, até aos últimos anos, uma expectativa de emprego na função pública errado, um emprego vitalício, que em nada contribui para o empreendedorismo. A população portuguesa, tem uma mentalidade de facilitismo, e não procura a sua própria melhoria da qualidade de vida, não procura criar o seu próprio negócio, a sua sustentação, ficando implícito o medo de arriscar.
A sociedade civil tem de assumir as suas próprias responsabilidades sociais e económicas, e não imputá-las na sua totalidade ao governo. Numa economia desenvolvida, o estado tem apenas o papel de controlo da actividade económica e social, e não de principal dinamizador da economia.
A criação de emprego terá que partir da sociedade civil. É óbvio que o estado terá que ter uma estratégia de promoção da actividade económica muito consistente, através de realização de importantes investimentos para a economia, mas apenas como promotor, não lhe cabendo o papel de grande empregador nacional.
O sistema fiscal é outro dos grandes problemas de Portugal, visto que não existe uma consciência colectiva de necessidade de cumprimento. Caso toda a sociedade cumprisse os seus deveres, o estado poderia baixar os patamares fiscais, e as empresas beneficiariam de uma maior competitividade. No entanto, quando apenas algumas empresas cumprem com as suas obrigações, é complicado que a máquina fiscal funcione adequadamente.
É necessário que a população portuguesa perceba que a maior parte dos seus problemas é por culpa própria de cada indivíduo, devido à sua acção na sociedade. Não se deve, assim, culpar o estado na totalidade, pois ambos os agentes têm culpas repartidas na situação que a economia portuguesa atravessa.
Cada indivíduo antes de criticar o trabalho dos outros, deve primeiro pensar na sua própria responsabilidade dentro de uma sociedade colectiva.